Qual o verdadeiro potencial da educação para mudar o mundo?

  • 22/set/2017

Qual o verdadeiro potencial da educação para mudar o mundo?

Segundo dados da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), existiam cerca de 750 milhões de analfabetos no mundo em 2015. No Brasil, a taxa do analfabetismo vem caindo desde 2001, embora estime-se que o país ainda tenha cerca de 12 milhões de adultos que não sabem ler ou escrever.

Nesse cenário, propomos a seguinte reflexão: qual é o potencial da educação para mudar o mundo? Qual é o papel do professor?

A educação é um direito humano fundamental, porém ainda não exercido plenamente em várias regiões do globo. Seja por questões econômicas, seja por questões políticas e culturais, o fato é que muitas pessoas nunca tiveram acesso a uma sala de aula. 

Continue lendo e entenda por que o professor e o pedagogo são tão importantes para viabilizar a educação e, consequentemente, a cidadania! Acompanhe!

O cenário atual brasileiro

Para começar, vamos considerar que o sistema de ensino em nosso país sempre favoreceu a oralidade em detrimento da leitura e da escrita. É muito mais comum ver um professor transformar o conteúdo programático em uma aula expositiva (que os alunos precisam ouvir e memorizar) do que propor atividades práticas, relacionadas ao cotidiano.

Essa dinâmica vem do século passado e reduz o estudante a uma posição de expectador passivo, exatamente como a televisão faz, o que não é nada benéfico para a aprendizagem. Quando tudo chega pronto e mastigado, o aluno não constrói nada, não testa, não tem espaço para questionar e tentar uma abordagem diferente.

Por não ter onde aplicar os conceitos vistos em sala, os jovens não enxergam sentido neles e criam, com o tempo, um tipo de resistência a esse processo. Pense em como nós, brasileiros, preferimos ouvir um noticiário ou assisti-lo na TV a ler um jornal ou uma notícia impressa. E o que falar dos livros? Muitos vestibulandos priorizam a leitura de resenhas e resumos em vez de ler as obras originais cobradas no exame.

Os desafios de “mudar o mundo”

“Mudar o mundo” é um conceito muito abstrato e idealizado para ser concretizado. Afinal de contas, quando falamos em “mundo”, estamos nos referindo aos países do globo terrestre. Cada uma dessas regiões tem sua cultura, sua economia e um sistema educativo distinto, único.

Assim, as soluções que pensarmos em termos de educação precisam respeitar esse mosaico de diferentes realidades. Para conseguir fazer o quadro da educação evoluir a nível global, é preciso que cada país estabeleça suas próprias metas e limitações e trabalhe dentro de seus limites.

Se pensarmos no Brasil, por exemplo, vemos que o investimento na educação aumentou consideravelmente, chegando a 6,1% de nosso Produto Interno Bruto (PIB) em 2014. Essa porcentagem é maior do que a média gasta pelos outros membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

O problema, portanto, não está no investimento em si, mas no gerenciamento desses recursos e em como eles se convertem em real aprendizagem.

Como mencionamos no item anterior, nosso sistema educacional não foi projetado para levar os estudantes à reflexão. Pelo contrário, há um tipo de “adestramento” do pensamento crítico, da interpretação contextual de informações e da habilidade de aplicar conhecimentos teóricos na resolução de problemas. Isso fica claro nos resultados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes).

É válido dizer que há projetos em tramitação no Congresso Federal que preveem mudanças no Ensino Médio, elevando a carga horária obrigatória, por exemplo. Mas a necessidade de mudança vai muito além disso: é a lógica que rege o sistema em si que precisa ser questionada pelos educadores do país.

Como apontou Paulo Freire em seu livro Pedagogia da Autonomia: “[…] ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.”

As propostas de melhoria

O EPT (Educação para Todos) é uma iniciativa coordenada pela Unesco que busca ampliar o alcance da educação ao redor do globo a partir de iniciativas locais. O programa foi adotado por 164 países no Fórum Mundial de Educação em Dakar, no Senegal, em 2000.

Ele é composto por seis objetivos, dos quais destacamos o combate ao analfabetismo, a promoção da igualdade de gênero nas escolas, a educação primária e o ensino de qualidade. Um desses objetivos era aumentar, até 2015, 50% no nível de alfabetização de adultos, especialmente entre mulheres.

Segundo o relatório oficial, alguns avanços são comprovados, mas há muito ainda a ser feito. O Brasil, por exemplo, apesar de ter tido um progresso considerável na educação de jovens e adultos entre 2001 e 2015, ficou aquém do que foi proposto.

O papel do professor

Qual é o papel do professor e do pedagogo na evolução no combate ao analfabetismo? Qual é a relação entre alfabetização e cidadania?

Todo ser humano precisa de escolarização para se desenvolver plenamente como cidadão. Um indivíduo que não sabe ler, escrever, interpretar informações ou expressar ideias é impedido de exercer sua cidadania, já que não tem subsídios cognitivos para compreender seus direitos e deveres.

Conseguir que todos os habitantes de um país sejam alfabetizados e proficientes em sua língua nativa é dar a eles mecanismos de empoderamento e de conscientização. A leitura e a escrita são instrumentos que possibilitam desvendar o mundo, entender como ele funciona e torná-lo mais justo e igualitário.

A Pedagogia é a área do conhecimento que se dedica a entender e a otimizar os processos de aprendizagem. Isso inclui a alfabetização de crianças, jovens e adultos. As figuras do professor e do pedagogo, portanto, são essenciais para concretizarmos os projetos de escolarização a nível local e global. Eles são os grandes viabilizadores da cidadania e da mudança!

As mudanças trazidas pela educação

A educação é, sim, a chave para “mudar o mundo”. Por meio dela, é possível munir jovens, crianças e adultos com instrumentos (a leitura e a escrita) que os permitam compreender a realidade na qual estão inseridos, podendo, no futuro, melhorá-la. A alfabetização tem um papel importante nessa jornada, pois é o primeiro passo para a mudança.

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