Por que é importante não decorar a matéria e sim aprender?

  • 27/abr/2017

Por que é importante não decorar a matéria e sim aprender?

Para comemorar o Dia da Educação, propomos as seguintes reflexões: seria “decoreba” o mesmo que aprendizado? Por que muitos estudantes pensam que decorar a matéria é o caminho mais fácil para ser bem-sucedido em exames como o vestibular?”

Bem, por muito tempo, a habilidade mais valorizada no ensino formal foi a de “gravar conceitos”. Algumas avaliações chegavam a cobrar ideias e teorias da mesma forma que a apostila ou livro didático as apresentava, não deixando margem para interpretação e explicações com as palavras e pensamentos dos alunos.

Hoje, a educação se distancia cada vez mais dessa prática. Quer saber mais? Então confira o que temos a revelar sobre o assunto e entenda por que aprender é mais importante do que decorar!

1. As palavras e as ideias

Tenha em mente que decorar frases, isto é, gravar uma ordem específica de palavras, não é o mesmo que aprender as ideias que elas transmitem. Você pode muito bem decorar determinada sequência de elementos sem necessariamente compreender qual é a lógica por trás deles. E onde está o problema?

O problema é que essa retenção será apenas momentânea e superficial, pois o verdadeiro conhecimento resulta sempre de um entendimento, de uma assimilação mais profunda de significados. Se seu sentido não for entendido, as palavras serão meros recipientes vazios, descartados pelo cérebro na primeira oportunidade.

2. A aplicabilidade

Uma das consequências do real aprendizado é a aplicabilidade da teoria e sua transformação em prática. Quando aprendemos (ou seja, compreendemos) a função matemática da subtração, por exemplo, podemos aplicá-la em diferentes situações de nosso cotidiano, como no pagamento das contas do mês, ou no cálculo dos juros de um empréstimo.

Isso só é possível porque a lógica dessa operação foi absorvida de tal forma que vemos oportunidades de aplicá-la em contextos distintos. A situação pode ser diferente, as variáveis (no caso, os números) podem ser diferentes, mas ainda assim conseguimos utilizar o mecanismo da subtração para realizar os cálculos.

Com a decoreba, entretanto, a única coisa que podemos fazer é repetir exatamente o que foi gravado.

Nas questões de uma avaliação ou de um exame como o vestibular, por exemplo, fica fácil perceber essa dinâmica. Imagine que um aluno gravou uma ideia exatamente da forma que a apostila a apresentava (“macete X”). Se ele se deparar com um enunciado que apresente a mesma ideia, porém escrita de outra forma, ficará imediatamente confuso e perderá seus pontos de referência para executar o que é pedido.

3. A sedimentação do conteúdo

Para que a compreensão de um conteúdo ocorra, possibilitando sua aplicação futura, é necessário que haja a sedimentação do que foi estudado. E como isso acontece? Bem, você já deve ter ouvido falar que só aprendemos o novo quando o associamos ao antigo, certo?

Nosso cérebro assimila uma novidade quando consegue fazer sua ligação com o que já está armazenado. O processo de aprendizagem humano se parece muito mais com um depósito de camadas do que como um painel em branco a ser preenchido.

Visualize esse processo como uma montanha, na qual as camadas de conhecimento recentes estão no topo e vão se acoplando às já existentes. Aos poucos, o conhecimento aprendido vai sedimentando e formando uma base de referência para o que está por vir.

4. A flexibilidade

Outra questão a ser analisada é que, geralmente, à medida que as disciplinas de um curso de graduação vão evoluindo, ideias novas e mais complexas vão sendo erguidas a partir do que foi aprendido nos níveis mais básicos. Como mencionamos, há uma lenta construção de conhecimento.

Se não houver um aprendizado real, essa evolução/construção se torna inviável, uma vez que as bases não foram devidamente solidificadas. Com a falta de flexibilidade, o saber adquirido por meio da decoreba se torna engessado e solto, sem possibilidade de aplicação e sem vínculo com outros saberes e práticas. A consequência é: o que se decora logo é esquecido!

5. O retorno sobre o investimento

Você já ouviu falar em ROI? Esta sigla, muito utilizada na área de Economia, significa “Retorno sobre Investimento”, e seu objetivo é medir os rendimentos conquistados a partir de um determinado investimento.

O rendimento mínimo que se tem ao investir em um curso de graduação é o acesso a uma profissão. A partir desse acesso, o estudante é aceito em um mundo restrito, um nicho específico de profissionais, sejam eles advogados, pedagogos, psicólogos, farmacêuticos etc.

Contudo, o recém-formado ou jovem profissional só conseguirá crescer por meio de seus conhecimentos e da forma criativa com que os aplica na resolução dos problemas pertinentes a seu ofício. A partir dessa bagagem (saberes técnicos e teóricos aprendidos), ele vai maximizar seu rendimento: se diferenciar e se estabelecer como referência na profissão.

Decorar conceitos e teorias durante a graduação em vez de se dedicar a aprendê-los (com o único objetivo de “se formar”, por exemplo) é uma maneira de se contentar com o mínimo retorno possível do investimento feito.

6. O aprendizado transforma

Aprender um conceito exige dedicação, tempo e vontade. Se você quiser adquirir um conhecimento, será preciso canalizar sua atenção para esse objetivo. Essa dedicação é recompensada, entretanto, quando você percebe que sabe se expressar sobre determinado assunto, que tem argumentos e opiniões embasadas, que seu pensamento é crítico e que seu cérebro consegue categorizar informações a fim de criar soluções inovadoras para os desafios do cotidiano, tornando sua vida mais simples e agradável.

Sempre que aprendemos algo, somos transformados em melhores versões de nós mesmos. Pense desta forma: o verdadeiro aprendizado equivale a um upgrade de nossa configuração básica.

7. Decorar a matéria é coisa do passado

A lógica da “decoreba” perdurou por muito tempo na educação, mas graças aos avanços feitos em áreas como Pedagogia e Neurologia, outras habilidades mais úteis ao desenvolvimento humano são valorizadas atualmente. Estamos falando aqui da capacidade de análise situacional, de argumentação crítica, de interpretação textual, de associação de conceitos e aplicação interdisciplinar de teorias.

Hoje, percebemos a aprendizagem como um processo de troca, de reflexão e doação. A lógica de “decorar a matéria” vai ficando cada vez mais desacreditada, visto que não pode levar a um real conhecimento e aperfeiçoamento do indivíduo.

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