Teste vocacional: afinal, o que é avaliado?

  • 13/mar/2017

Teste vocacional: afinal, o que é avaliado?

Dizem que quando se tem clareza de onde se quer chegar, metade do caminho já foi percorrida. Na vida profissional não poderia ser diferente. Ainda que fazer uma faculdade seja o sonho de muita gente, é comum aparecerem dúvidas na hora de escolher a carreira. Atualmente, as faculdades oferecem tantas opções de graduação que fica difícil saber qual curso trará satisfação, sucesso profissional e, principalmente, qual deles é o mais adequado para o perfil de cada um.

Não é nada fácil tomar uma decisão tão importante como essa. Mas o teste vocacional é uma ferramenta que pode auxiliar na escolha. Apontando caminhos compatíveis com o perfil de cada pessoa, a avaliação busca fazer um recorte do universo de opções e facilitar a eleição da carreira.

É importante deixar claro, no entanto, que o teste vocacional não define a profissão e nem a área que deve ser seguida. Conduzida por psicólogos, o teste é uma forma de autoconhecimento e descobrimento dos próprios talentos e interesses a fim de se chegar a uma escolha mais consciente. No fim das contas, você é quem determina qual profissão quer seguir.

Saiba como funciona o teste vocacional e entenda como ele pode te ajudar!

O que é o teste vocacional?

Indicado tanto para os jovens que ainda não ingressaram no mercado de trabalho quanto para aqueles que querem uma mudança na vida profissional, o teste vocacional avalia a personalidade e as características do indivíduo. Quem realiza tem a oportunidade de refletir sobre seus interesses, habilidades e aptidões que podem ser explorados na profissão.

Mediante a análise dos pontos fortes e das dificuldades da pessoa, é possível associar tais informações a tendências do mercado e elencar possibilidades de carreiras.

Como surgiu a orientação vocacional?

Com o aumento de ofertas de profissões na transição do século 19 para o 20, algumas pessoas já apresentavam dificuldades em definir a carreira. Identificando tal movimento, o americano Frank Parsons sistematizou um plano de orientação profissional e começou a atender e auxiliar jovens em seu escritório. Seu livro póstumo Choosing a Vocation (Escolhendo uma Vocação, em tradução livre) foi publicado em 1909 e considerado uma obra pioneira no campo da orientação vocacional.

Com o tempo, a prática passou a ser associada à psicologia, com o desenvolvimento de testes de QI e de personalidade que foram associados à avaliação de aptidões e interesses.

Outra figura marcante da área de orientação vocacional foi o psicólogo americano John Holland, nascido em 1919 e falecido em 2008. O cientista acreditava que as preferências profissionais manifestam a personalidade da pessoa. Assim, ele criou seis macrocategorias de personalidades. Conheça cada uma delas:

Perfil realista

Pessoas pouco sociáveis, que preferem atividades objetivas e fogem de conteúdos subjetivos ou emocionais. São aquelas que gostam de colocar a mão na massa e de obter resultados tangíveis. Nesse caso, as ciências exatas são as mais indicadas.

Perfil investigativo

Ainda que esse perfil também apresente desconforto em situações de socialização, como o anterior, o indivíduo se mostra aberto a questões subjetivas e abstratas. Pode ser apto para áreas teóricas, como a Física, a Biologia e a Sociologia.

Perfil artístico

Embora sejam introvertidas, as pessoas desse perfil gostam de se comunicar quando se sentem seguras e à vontade no ambiente. Lidam bem com questões emotivas e exercem com facilidade a empatia pelos outros. O mundo das artes é o mundo delas, seja por meio da música, literatura ou do teatro, por exemplo.

Perfil social

Sente necessidade de ajudar outras pessoas. Seu senso de responsabilidade social o faz buscar formas de orientar ou tratar dos outros. Enfermagem, Serviço Social e Pedagogia são algumas das opções mais adequadas.

Perfil empreendedor

Tem habilidades de comunicação, é expansivo e gosta de gerenciar equipes. Esse perfil se sente bem em cargos de poder e liderança. Como a proatividade e a iniciativa fazem parte do seu modo de viver, esse perfil costuma ascender em cargos de gestão, como gerência, advocacia ou política.

Perfil convencional

Sente-se confortável em atividades rotineiras e ordenadas. Cultiva bons relacionamentos interpessoais e, por isso, transita bem em ambientes organizacionais, seja na área de vendas, contabilidade ou administração.

É claro que essas descrições não são absolutas. O próprio Holland reconheceu que as pessoas não podem ser encaixadas em apenas seis modalidades, mas a ideia é que essas categorias sirvam de guia para o autoconhecimento.

Como o teste vocacional é conduzido?

Se guiado por um profissional da psicologia, o teste vocacional começa com uma conversa com o psicólogo e segue com dinâmicas, entrevistas e exercícios. Nesse momento, o examinado é instigado a refletir e a elaborar suas próprias vontades, separando seus verdadeiros interesses das expectativas de familiares ou amigos.

Depois de mapear quais opções o orientado gostaria de seguir, ele pode entrar em contato com profissionais dessas áreas para descobrir como são realizadas as funções do dia a dia. Discute-se tanto com o profissional quanto com o psicólogo quais as possibilidades que o mercado de trabalho oferece para cada alternativa e quais são as perspectivas para o futuro das profissões.

Faz-se necessário também pesquisar sobre as grades curriculares oferecidas pelas faculdades e qual delas melhor atende às expectativas. Afinal de contas, a formação acadêmica é uma parte importante da carreira.

Como interpretar os resultados?

Como já foi mencionado, o teste vocacional não apresenta verdades absolutas e tampouco determina o caminho que deve ser seguido. O indivíduo precisa ter clareza que a decisão é sempre dele, independentemente dos resultados.

O valor da ferramenta de avaliação está, então, no autoconhecimento que ela proporciona. Conhecer a si mesmo é o primeiro passo para compreender o que se deseja realizar na vida pessoal e profissional.

Onde fazer o teste?

O ideal é procurar profissionais capacitados que conduzam a orientação vocacional. No entanto, diante de eventuais dificuldades financeiras, é possível realizar testes gratuitos online. É claro que a eficácia é reduzida diante da orientação de um psicólogo, mas é possível tirar conclusões muito úteis de testes na Internet. Confira três dessas opções:

1. Teoria das Escolhas Vocacionais

Baseado nas teorias de John Holland, esse teste foi criado por uma profissional da área e é indicado por um site referência em carreiras e profissões.

2. Teste da Veja

A revista Veja solicitou que uma especialista da área preparasse uma avaliação vocacional para os leitores. Baseado na teoria Junguiana — psicologia analítica que propõe tipos de personalidade —, o teste analisa preferências, habilidades e objetivos para identificar a personalidade do indivíduo e o que ele pode priorizar na profissão.

3. Teste Vocacional Carlos Martins

O teste foi desenvolvido pelo próprio John Holland e, por isso, é considerado um dos melhores do mundo. Tornando a avaliação ainda mais precisa, Carlos Martin adaptou o teste para a realidade brasileira. Aqui, até aspectos hereditários são levados em consideração.

Que tal fazer mais de um deles para comparar os resultados?

Escolher uma profissão que traga satisfação pessoal, para além do sucesso financeiro, exige muita investigação e autoconhecimento. De fato, não é tarefa fácil. O teste vocacional é apenas uma das ferramentas que contribuem para o processo de decisão. No entanto, conversas com profissionais das áreas de interesse, pesquisa e leitura são essenciais para se fazer uma escolha certeira.

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