O que é empreendedorismo jurídico e como ele funciona?

  • 20/ago/2019

O que é empreendedorismo jurídico e como ele funciona?

Tempo de Leitura: 4 minutos

Muita gente tem dificuldade em associar conceitos de gestão e administração ao profissional do Direito, talvez pelo tradicionalismo e formalidade dessa matéria em detrimento das duas primeiras, normalmente ligadas à inovação. Diante de tal constatação, fica a pergunta: você sabe o que é e como funciona o empreendedorismo jurídico?

O empreendedor não precisa ser o dono de um estabelecimento comercial ou de uma fábrica de doces. Ele pode ser o gestor de um escritório de advocacia, atuando por conta própria e, com bom desempenho, empregando outras pessoas.

Quer saber mais sobre a área e como ela melhora a atuação do jurista? Trazemos maiores informações na sequência. Acompanhe!

Conceito e prática do empreendedorismo jurídico

Empreender é ter um modelo de negócio e implementá-lo de fato, seja abrindo uma indústria ou comércio com sede física ou investindo em e-commerce. Quem se propõe a essa missão precisa otimizar a atividade (fabricar brinquedos, por exemplo) visando lucro, maximizando o resultado das vendas enquanto controla as despesas.

No empreendedorismo jurídico o modelo de negócio é o escritório de advocacia ou as startups jurídicas, as lawtechs ou legaltechs. Aqui, os profissionais do Direito ocupam o papel de gestor, e o lucro é obtido pela prestação de serviços jurídicos ou venda de produtos ligados à área.

Na prática, você atua no ramo, por exemplo, se oferece por conta própria assessoria ou consultoria em ações judiciais e questões preventivas — como contratação trabalhista, orientação sobre convenção e regimento interno de condomínio edilício. 

Além do conhecimento jurídico

Não falta gente com capacidade no Direito, afinal, temos mais de 1,2 milhão de advogados no Brasil. O diferencial de quem deseja lidar com empreendedorismo jurídico começa pelo domínio de matérias e recursos ligados à gestão.

Trata-se de um profissional que busca alta performance, melhoria na produtividade, tem planejamento financeiro e faz a divulgação do seu nome no mercado em conformidade com o Código de Ética e Conduta da OAB.

Se a sua área de especialização é Direito de Família e Sucessão e você atua por conta, quais são suas estratégias para expandir a carteira de clientes e fidelizar os que já o escolheram? Caso nunca tenha ouvido falar de marketing jurídico, é bom rever seus planos.

Perfil do empreendedor jurídico

Estamos falando de uma pessoa proativa, curiosa, atualizada quanto às matérias legais e às tecnologias sendo utilizadas em tempos de transformação digital para aproximar pessoas, facilitar processos e promover metodologias laborais. 

Esses indivíduos têm metas, estabelecem métricas, calculam o retorno sobre investimento (ROI) de suas ações — investir tempo na produção de conteúdo para blogs, por exemplo —, além de terem planejamento estratégico para conquistar e crescer no mercado.

Enquanto o jurista tradicional está começando a conhecer mais sobre compliance, o do empreendedorismo jurídico já está totalmente capacitado para prestar serviços e falar sobre compliance digital. O primeiro ainda está se adaptando ao processo judicial eletrônico, enquanto o segundo trabalha com aplicativos de armazenamento em nuvem.

Você vai identificar o empreendedor jurídico porque ele está sempre um passo a frente: é quem investiu em Direito Digital 15 anos atrás, quando a internet começou a ser popularizada no Brasil; é quem se aperfeiçoa hoje em crimes cibernéticos e estuda como a internet das coisas impactará direitos fundamentais do cidadão em um futuro próximo.

Lawtechs

Empreendedorismo jurídico também é promovido em startups ligadas à matéria legal. Elas estão, por exemplo, facilitando a gestão de processos dos advogados integrando sites dos tribunais e publicações em diário eletrônico com a agenda do profissional.

Existem lawtechs oferecendo a resolução de conflitos (acordos, mediação e arbitragem) em ambiente virtual e outras capazes de analisar em pouco tempo um volume imenso de jurisprudência sobre determinado caso para medir suas chances de êxito em um processo judicial.

Escalabilidade

O conceito tem tudo a ver com empreendedorismo jurídico: é a capacidade de replicar boas práticas em um curto espaço de tempo e, assim, conquistar o mercado. As lawtechs estão fazendo isso com suas soluções porque elas são reproduzíveis em diversos escritórios de advocacia ou departamentos jurídicos de empresas.

O advogado que atua por conta própria pode investir em marketing digital produzindo conteúdo sobre a sua área na internet, que é altamente escalável. Assim, se você lida com Direito Previdenciário, redija um texto sobre as principais mudanças na reforma da previdência e compartilhe no seu site, blog ou nas redes sociais.

A importância do empreendedorismo jurídico no mercado

Ele aumenta a competitividade porque quem o promove está mudando significativamente os processos e as formas de oferecer serviços advocatícios. Esses profissionais instigam os acomodados a sair da zona de conforto, angariar conhecimento e trabalhar na prospecção de clientes.

Outro aspecto importante é que o empreendedorismo jurídico otimiza a gestão da informação. No caso das legaltechs, existem algumas lidando com codificação preditiva, inteligência artificial capaz de classificar documentos com precisão conforme o filtro utilizado, auxiliando na revisão de processos judiciais volumosos.

Advogados que investem na produção de conteúdo tem, nos comentários, compartilhamentos e curtidas, indicativos de quais matérias têm maior receptividade. Assim, eles podem orientar pautas futuras e buscar especialização no ramo pelo qual os internautas mais chegam até ele em busca de seus serviços.

Desafios e perspectivas do empreendedorismo jurídico

Quem deseja ter reconhecimento profissional atuando na advocacia precisa estar atento ao Código de Ética e Disciplina da OAB. Ele agora trata da publicidade em meios digitais, que são altamente escaláveis como já falamos. A prospecção de clientes é restrita, então, não queira ser inovador demais sob pena de perder sua licença.

Outro desafio é implementar a dinâmica do empreendedorismo jurídico dentro da já conhecida formalidade do Direito. Muitos juristas se mantêm conservadores, relutam contra novas tecnologias e se restringem meramente ao conhecimento de sua área de formação acadêmica, ignorando boas práticas de gestão.

Razões para empreender na área

O profissional do futuro é quem antevê tendências e se prepara para atender às demandas. Muitas carreiras serão bem-sucedidas pela capacidade da pessoa de se adaptar às novas tecnologias e utilizá-las a favor do cliente.

O empreendedorismo jurídico coloca você em contato com gente proativa, dinâmica, que tem sede de conhecimento, entende a necessidade de estudar gestão e adotar as inovações tecnológicas para otimizar a prestação de seus serviços.

A transformação digital veio para ficar: revolucionou e ainda vai mudar muito as relações humanas, como as de trabalho e de consumo. A capacidade de adaptação do jurista vai melhorar seu desempenho e ditar o nível de satisfação dos clientes com ele.

Quer ser dono do próprio negócio e obter maiores chances de sucesso? Prepara-se com muito estudo e consolide uma rede de contatos para promover o empreendedorismo jurídico e alavancar o seu perfil profissional.

Gostou do tema? Então, compartilhe este artigo nas suas redes sociais e comece desde já a ampliar o seu networking!

Precisa de mais informações?

Preencha seus dados que um consultor irá entrar em contato com você