Como a graduação em História muda sua visão sobre o mundo

  • 28/set/2017

Como a graduação em História muda sua visão sobre o mundo

Você conhece a história da Independência do Brasil? Com certeza, já deve ter ouvido falar do grito às margens do Ipiranga, certo? Desde muito cedo, nos ensinam sobre como nosso país se separou de Portugal em 1822 e deixou de ser colônia.

Mas será que a versão oficial dessa história é a mais precisa? Quem foi o responsável por registrar esses fatos e por quê?

Quem cursa História está acostumado a fazer tais questionamentos, pois são eles que ajudam os estudantes e graduados a compreenderem melhor os eventos e períodos históricos.

Se você quer saber mais a respeito dessa graduação e sobre as possibilidades de carreira que ela abre ou entender quais atividades os bacharéis e licenciados podem desempenhar, continue conosco! Descubra por que essa profissão vai muito além da sala de aula!

O que é História?

História é a área do conhecimento que se dedica a investigar o homem no tempo. Quem cunhou essa ideia foi Marc Bloch, historiador francês e autor do livro Apologia da História.

Entenda, portanto, que a História estuda as relações humanas no passado, mas também no presente. Ao ingressar no curso e avançar semestre após semestre, sua compreensão da vida nos dias atuais mudará, pois verá que o presente é em grande parte moldado pelas ações do passado.

Quem estuda História busca ampliar seu conhecimento intelectual a respeito da evolução dos seres humanos a partir do desenvolvimento da escrita. O maior legado do curso não é a memorização de datas, nomes e eventos históricos, mas uma visão mais crítica das transformações sociais e econômicas e de tudo aquilo que é relatado nos livros didáticos.

Quais carreiras podem ser construídas a partir desse curso?

Geralmente, quando pensamos em alguém que cursou História, visualizamos um professor dando aula, não é verdade? Isso faz sentido, já que a licenciatura de fato habilita os alunos para lecionar. Entretanto, tenha em mente que dar aulas é apenas uma das possibilidades dessa área.

A profissão de historiador compreende aqueles que possuem o título de bacharel em História. Esse profissional é responsável pela pesquisa e produção de conhecimento relacionado a determinados aspectos do passado (em alguns casos, compondo times investigativos com outros profissionais, como arqueólogos e antropólogos).

Vale dizer que a profissão não é reconhecida aqui no Brasil. O Projeto de Lei que visa regulamentá-la é o de número 4699/2012 e, atualmente, tramita no Senado Federal.

Mesmo assim, um bacharel em História pode ser contratado para trabalhar com consulta e pesquisa relacionadas a patrimônio público ou privado, a ícones, movimentos e fatos da História Brasileira. O principal órgão contratante nesse sentido é o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Nacional).

Há também a opção de seguir carreira acadêmica. Para isso, o estudante precisará retornar à universidade (não necessariamente para a mesma da graduação) e conquistar primeiro o título de Mestre e, depois, o de Doutor. O mestrado leva em média 2 anos, e o doutorado, 4 anos.

Seguindo esse direcionamento acadêmico, muitos historiadores (tanto bacharéis quanto licenciados) escolhem atuar como produtores de conteúdo para educação a distância (EAD). Portanto, eles escrevem as aulas e apostilas a que os alunos terão acesso, sem necessariamente lecionar a disciplina.

Qual é a função prática de quem estuda História?

Bem, os licenciados podem dar aulas no Ensino Fundamental e Médio, bem como em cursinhos e iniciativas similares. No entanto, para lecionar em nível acadêmico, é preciso ter as titulações mencionadas no item anterior (mestrado e doutorado).

Com relação aos bacharéis, é sua função buscar desconstruir mitos e enxergar de forma mais ampla e compreensiva os momentos e eventos históricos. E como ele faz isso? Por meio da pesquisa de fontes diretas e indiretas e de seu questionamento:

  • Quem a produziu?
  • Qual era o contexto no qual ela foi produzida?
  • A quem se destinava?

Perceba que, quando falamos em fontes históricas, estamos nos referindo a documentos oficiais, testemunhos e periódicos, ou seja, registros do momento/evento estudado. Essas fontes são o material de pesquisa do historiador, além, é claro, dos livros da área.

A capacidade de analisar criticamente uma informação, independentemente da forma em que ela se apresenta, e de extrair dela significado é adquirida ao longo dos anos de estudos e prática. É essa habilidade que distingue o historiador de outros profissionais.

Afinal, como ocorreu a Independência do Brasil?

Voltamos à questão da Independência. Como com qualquer evento, é preciso compreender o contexto no qual ela ocorreu. No começo século XIX (ou 19), o Brasil ainda era colônia de Portugal. Contudo, com o triunfo da Revolução Francesa (a declaração dos Direitos Humanos), um clima de mudança da ordem vigente começou a crescer tanto no Velho quanto no Novo Mundo.

A própria família real portuguesa se mudou para a colônia por conta das guerras napoleônicas, que ameaçavam seu reinado em Portugal. Em 1821, entretanto, Dom João VI retornou à metrópole e deixou seu filho Dom Pedro como Regente.

Tudo aconteceu lentamente, como se os ingredientes estivessem em uma panela de pressão. Muitos pressionavam para que o Brasil se separasse. A Revolução Pernambucana foi um exemplo de revolta emancipacionista que precisou ser suprimida. Houve também muitos articuladores interessados em instituir Dom Pedro como Imperador.

Então, em 1922, quando Dom João chamou seu filho de volta à capital portuguesa, este se recusou a atender a chamada do pai, atendendo, em vez disso, ao chamado de algumas figuras políticas proeminentes na colônia. O intelectual mineralista José Bonifácio foi importante nesse sentido.

Depois da proclamação, houve inúmeros conflitos com as tropas enviadas para manter a ordem. Somente após o pagamento de uma soma vultosa à coroa de Portugal pelos prejuízos é que o Brasil foi reconhecido como uma nação independente.

Qual é o legado da História para seus estudantes?

Todo estudante de História entende, logo nos primeiros semestres, que, assim como a Independência, outros eventos são romantizados, distorcidos e, às vezes, completamente alterados. Tudo depende de quem os registra e para qual finalidade.

Assim, a clássica cena do quadro de Pedro Américo foi uma representação romantizada de um evento complexo que se desenrolou no âmbito político, econômico e intelectual da época.

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