Conheça o perfil do empreendedor brasileiro

  • 22/jan/2018

Conheça o perfil do empreendedor brasileiro

No dia a dia, as pessoas comumente associam o perfil do empreendedor brasileiro aos grupos mais privilegiados da população, criando uma série de obstáculos mentais para não iniciar a própria atividade econômica.

Ocorre que essa visão é incompatível com as pesquisas e análises objetivas a respeito do tema. Na verdade, os estudos, em muitos pontos, dizem justamente o contrário.

Confira a seguir os dados mais recentes dessa área e entenda por que você também pode ser um empreendedor!

A participação feminina no empreendedorismo brasileiro

A principal fonte de informação sobre o empreendedorismo é a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), a qual, no Brasil, é realizada em parceira do IBQP com a FGV,Sebrae e a UFPR. 

Dentre outras informações, nesse estudo encontramos a divisão dos empreendedores brasileiros por gênero, o que de pronto apresenta algumas surpresas.

Enquanto em outros países os homens representam a maioria, aqui a divisão é bastante equilibrada. A pesquisa de 2016 traz a evolução da participação de cada grupo:

Gênero 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Masculino 51,4% 50,4% 47,8% 48,8% 51% 51,5%
Feminino 48,6% 49,6% 52,2% 51,2% 49% 48,5%

Tal diferença é um pouco maior quando são considerados apenas os negócios estabelecidos, ou seja, em funcionamento há, pelo menos, 3,5 anos:

Gênero 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Masculino 56,9% 56,0% 57,8% 54,9% 55,7% 57,3%
Feminino 43,1% 44,0% 42,2% 45,1% 44,3% 42,7%

Contudo, mesmo nesse caso, a participação feminina ainda é bastante significativa, principalmente diante de dificuldades históricas, como preconceito e necessidade de conciliar demandas familiares e de trabalho.

Além disso, desde 2009 houve um crescimento das mulheres em negócios estabelecidos, uma vez que, na época, a representatividade do gênero era de 37,3%.

Assim, as mulheres exercem importante papel no empreendedorismo nacional, embora exista boa margem para o crescimento do grupo.

Os empreendedores em cada faixa etária

Um segundo dado importante é a distribuição por faixa etária, uma vez que é comum a imagem de que as pessoas começam desde cedo. Confira os dados::

Negócio 18 a 24 anos 25 a 34 anos 35 a 44 anos 45 a 54 anos 56 a 64 anos
Iniciais (até 3,5 anos) 19,7% 30,3% 22,9% 16,6% 10,4%
Estabelecidos (acima de 3,5 anos) 6,2% 17,9% 30,1% 26,5% 19,2%

Repare que mais da metade das pessoas em negócios iniciais pertence à fase adulta (grupo de 25 a 34 e grupo de 35 a 44 anos). Logo, não há necessidade de começar muito cedo.

Na verdade, é nítido que a idade não é uma barreira para empreender, visto que todas as faixas etárias têm alguma representatividade. 

A importância de cursar o ensino superior

Assim como em outros critérios, o perfil do empreendedor brasileiro é bastante diversificado segundo o nível de escolaridade:

Nível de escolaridade Negócios iniciais Negócios estabelecidos
Fundamental incompleto 27,4% 29,2%
Fundamental completo e médio incompleto 19,9% 26,2%
Médio completo e superior incompleto 46,6% 38,1%
Superior e graus acima 6,3% 6,4%

Contudo, ainda que cerca da metade dos empreendedores não tenha um curso superior, você não deve ignorar a importância da graduação. Afinal, as competências adquiridas serão úteis para manutenção e crescimento do negócio.

Nesse sentido, uma das conclusões do estudo é justamente que a baixa escolaridade é uma das responsáveis pela mortalidade dos empreendimentos brasileiros.

A questão da desigualdade de renda e cor

As informações sobre o perfil do empreendedor brasileiro mostram que a maioria das pessoas envolvidas em negócios não pertence às classes mais abastadas da sociedade: 

Salário familiar Negócios iniciais Negócios estabelecidos
Até 1 13,7% 9,7%
1 a 2 28,8% 21,1%
2 a 3 28,5% 29,2%
3 a 6 25,4% 34,6%
Mais de 6 3,5% 5,3%

Nesse sentido, é interessante que as menores possibilidades de crédito não se tornaram um empecilho para que as pessoas com renda de até seis salários mínimos tenham ampla participação nos negócio do país.

Por sua vez, em relação à cor, a participação obedece, mais ou menos, à distribuição existente na população em geral. Confira a presença de cada cor, primeiro, nos brasileiros:

Branca 45,2%
Parda 45,1%
Preta 8,9%

Agora, compare com a distribuição em relação aos negócios do país: 

Cor Negócios iniciais Negócios estabelecidos
Branca 30,5% 36,2%
Parda 54,4% 49,8%
Preta 14,3% 12,6%
Indígena ou amarela 0,8% 1,4%

Sendo assim, é possível verificar que, no mínimo, existe participação equivalente ao número de pessoas na sociedade em geral. 

O empreendedorismo por região 

Para entender a participação do empreendedorismo em cada região, a estatística considera o percentual dessas pessoas em relação ao restante da população de 18 a 64 anos. 

Nesse sentido, os dados de 2014 demonstram o seguinte: 

Região Taxa de empreendedorismo
Norte 32,6%
Centro-Oeste 33%
Sul  35,1%
Sudeste 33,6%
Nordeste 36,4%
Média nacional 34,5%

Podemos notar que há empreendedores em todas as regiões, sempre em quantidade próxima a 1/3 da população local.

Contudo, o Nordeste se sobressai ligeiramente em números proporcionais, com taxa um pouco acima da média. 

Por fim, vale ressaltar que a maioria dos empreendedores ainda está na Região Sudeste. Afinal, a densidade demográfica nessa área é muito superior à das demais. 

As características dos empreendedores brasileiros 

Uma última estatística interessante sobre o perfil do empreendedor brasileiro mostra as características dessas pessoas: 

Informalidade 

Os empreendedores brasileiros são caracterizados por sua informalidade, isto é, 82,5% desses empresários desenvolvem suas atividades de modo paralelo ao mercado de trabalho, sem o registro de empresa (CNPJ). 

Empreendedorismo por necessidade 

Uma segunda característica é o alto índice de pessoas que criam um negócio por falta de opções e dificuldades de obter um emprego. Esse índice corresponde a 42,4% dos negócios iniciais. 

Já o índice de empreendedores por oportunidade, ou seja, que viram uma demanda ou nicho de mercado é de 57,4%. Porém, embora superior ao anterior, é considerado baixo em comparação com outros países. 

Baixo percentual de inovação 

Pelos critérios da pesquisa, o Brasil se apresenta como um país com baixa inovação no empreendedorismo. Esse resultado considera os seguintes pontos: 

  • atividade baseada em produto ou serviço novo para algumas pessoas ou para todos;
  • soluções com poucos ou nenhum concorrente; 
  • uso de tecnologia criada há menos de cinco anos;
  • volume de consumidores no exterior. 

Nesse sentido, o perfil do empreendedor brasileiro está mais ligado a negócios tradicionais e ao oferecimento de soluções já estabelecidas. 

A diversidade do empreendedor brasileiro 

Com as informações apresentadas, fica claro que o empreendedorismo brasileiro é bastante plural. Isso porque é realizado por pessoas de diversas classes sociais, cores, idades e níveis de escolaridade. 

Nesse sentido, os diferentes grupos, até por necessidade, desenvolvem os seus negócios superando as adversidades impostas por cada condição. 

Assim, as pesquisas revelam que não existem características específicas para iniciar o próprio negócio, inclusive é importante destacar a ampla participação feminina no setor. Logo, você também pode empreender!

Agora, que já conhece um pouco mais sobre o perfil do empreendedor brasileiro e sobre a atuação das mulheres no setor, que tal se aprofundar no segundo tema? Faça o download do nosso e-book sobre o Dia Internacional da Mulher e conheça uma série de histórias de sucesso! 



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