Conheça o perfil do empreendedor brasileiro

  • 09/nov/2018

Conheça o perfil do empreendedor brasileiro

No dia a dia, as pessoas comumente associam o perfil do empreendedor brasileiro aos grupos mais privilegiados da população, criando uma série de obstáculos mentais para não iniciar a própria atividade econômica.

O que acontece é que essa visão é incompatível com as pesquisas e análises objetivas a respeito do tema — em muitos pontos, os estudos dizem justamente o contrário.

Confira a seguir os dados mais recentes dessa área e entenda por que você também pode ser um empreendedor!

A participação feminina no empreendedorismo brasileiro

A principal fonte de informação sobre o empreendedorismo é a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), a qual, no Brasil, é realizada em parceria do IBQP com a FGV, o Sebrae e a UFPR.

Entre outras informações, nesse estudo encontramos a divisão dos empreendedores brasileiros por gênero, o que de pronto apresenta algumas surpresas.

Enquanto em outros países os homens representam a maioria, aqui a divisão é bastante equilibrada. A pesquisa de 2016 traz a evolução da participação de cada grupo:

Gênero 2011 2012 2013 2014 2015 2016
 Masculino  51,4%  50,4%  47,8%  48,8%  51%  51,5%
Feminino 48,6% 49,6% 52,2% 51,2% 49% 48,5%

Essa diferença é um pouco maior quando são considerados apenas os negócios estabelecidos, ou seja, em funcionamento há, pelo menos, 3,5 anos:

Gênero 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Masculino 56,9% 56,0% 57,8% 54,9% 55,7% 57,3%
Feminino 43,1% 44,0% 42,2% 45,1% 44,3% 42,7%

Contudo, mesmo nesse caso, a participação feminina ainda é bastante significativa, principalmente diante de dificuldades históricas, como preconceito e necessidade de conciliar demandas familiares e profissionais.

Além disso, desde 2009 houve um crescimento das mulheres em negócios estabelecidos, uma vez que, na época, a representatividade do gênero era de 37,3%.

Assim, é uma realidade que as mulheres exercem importante papel no empreendedorismo nacional, embora ainda exista boa margem para o crescimento do grupo.

Os empreendedores em cada faixa etária

Um segundo dado importante é a distribuição por faixa etária, uma vez que é comum a imagem de que as pessoas começam desde cedo. Confira os dados:

Negócio 18 a 24 anos 25 a 34 anos 35 a 44 anos 45 a 54 anos 56 a 64 anos
Iniciais (até 3,5 anos) 19,7% 30,3% 22,9% 16,6% 10,4%
Estabelecidos (acima de 3,5 anos) 6,2% 17,9% 30,1% 26,5% 19,2%

Repare que mais da metade das pessoas em negócios iniciais pertence à fase adulta (grupo de 25 a 34 e grupo de 35 a 44 anos). Logo, não há uma obrigatoriedade comprovada de começar muito cedo.

Na verdade, é nítido que a idade não é uma barreira para empreender, visto que todas as faixas etárias têm alguma representatividade. Talvez a maturidade até seja um ingrediente importante, sendo que muitas pessoas também já passaram por experiências anteriores que não deram tão certo antes dos seus negócios atuais.

A importância de cursar o ensino superior

Assim como em outros critérios, o perfil do empreendedor brasileiro é bastante diversificado segundo o nível de escolaridade:

Nível de escolaridade  Negócios iniciais  Negócios estabelecidos
Fundamental incompleto 27,4% 29,2%
Fundamental completo e médio incompleto 19,9% 26,2%
Médio completo e superior incompleto 46,6% 38,1%
Superior e graus acima 6,3% 6,4%

Contudo, ainda que cerca da metade dos empreendedores não tenha um curso superior, você não deve ignorar a importância da graduação. Afinal, as competências adquiridas durante essa fase são muito úteis para a manutenção e o crescimento do negócio.

Nesse sentido, uma das conclusões do estudo é justamente que a baixa escolaridade é uma das responsáveis pela mortalidade dos empreendimentos brasileiros. Ser um profissional atualizado e com competências variadas faz a diferença nesse sentido.

A questão da desigualdade de renda e cor

As informações sobre o perfil do empreendedor brasileiro mostram que a maioria das pessoas envolvidas em negócios não pertence às classes mais abastadas da sociedade:

 Salário familiar  Negócios iniciais  Negócios estabelecidos
Até 1 13,7% 9,7%
1 a 2 28,8% 21,1%
2 a 3 28,5% 29,2%
3 a 6 25,4% 34,6%
Mais de 6 3,5% 5,3%

Nesse sentido, é interessante que as menores possibilidades de crédito não se tornaram um empecilho para que a população com renda de até seis salários mínimos tenha ampla participação no ambiente corporativo do País.

Por sua vez, em relação à cor, a participação obedece, mais ou menos, à distribuição existente na população em geral. Confira a presença de cada cor, primeiro, nos brasileiros:

 Branca  45,2%
  Parda  45,1%
  Preta  8,9%

Agora, compare com a distribuição em relação aos negócios do País:

Cor  Negócios iniciais  Negócios estabelecidos
Branca 30,5% 36,2%
Parda 54,4% 49,8%
Preta 14,3% 12,6%
 Indígena ou amarela 0,8% 1,4%

Sendo assim, é possível verificar que, no mínimo, existe participação equivalente ao número de pessoas na sociedade em geral.

O empreendedorismo por região

Para entender a participação do empreendedorismo em cada região, a estatística considera o percentual dessas pessoas em relação ao restante da população de 18 a 64 anos. Os dados de 2014 demonstram o seguinte:

Região  Taxa de empreendedorismo
Norte 32,6%
Centro-Oeste 33%
Sul 35,1%
Sudeste 33,6%
Nordeste 36,4%
 Média nacional 34,5%

Podemos notar que há empreendedores em todas as regiões, sempre em quantidade próxima a 1/3 da população local. Entretanto, o Nordeste se sobressai ligeiramente em números proporcionais, com taxa um pouco acima da média.

Por fim, vale ressaltar que a maioria dos empreendedores ainda está na região Sudeste. Afinal, a densidade demográfica nessa área é muito superior à das demais, sem contar que as oportunidades costumam ser um pouco mais favoráveis.

As características dos empreendedores brasileiros

Uma última estatística interessante sobre o perfil do empreendedor brasileiro mostra as características dessas pessoas:

Informalidade

Os empreendedores brasileiros são caracterizados por sua informalidade, isto é, 82,5% desses empresários desenvolvem suas atividades de modo paralelo ao mercado de trabalho, sem o registro de empresa (CNPJ – Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica).

Empreendedorismo por necessidade

Uma segunda particularidade é o alto índice de pessoas que criam um negócio por falta de opções e dificuldades de obter um emprego. Esse índice corresponde a 42,4% dos negócios iniciais.

Já o índice de empreendedores por oportunidade, ou seja, que viram uma demanda ou nicho de mercado é de 57,4%. Porém, embora superior ao anterior, é considerado baixo em comparação com outros países.

Baixo percentual de inovação

Pelos critérios da pesquisa, o Brasil se apresenta como um país com baixa inovação no empreendedorismo. Esse resultado considera os seguintes pontos:

  • atividade baseada em produto ou serviço novo para algumas pessoas ou para todos;
  • soluções com poucos ou nenhum concorrente;
  • uso de tecnologia criada há menos de cinco anos;
  • volume de consumidores no exterior.

Nesse contexto, o perfil do empreendedor brasileiro fica caracterizado como mais ligado a negócios tradicionais e ao oferecimento de soluções já estabelecidas.

A diversidade do empreendedor brasileiro

Com as informações apresentadas, fica claro que o empreendedorismo brasileiro é bastante plural. Isso porque é realizado por pessoas de diversas classes sociais, cores, idades e níveis de escolaridade.

Na prática, significa que diferentes grupos (até por necessidade) desenvolvem os seus negócios superando as adversidades impostas por cada condição.

Assim, as pesquisas revelam que não existem características específicas para iniciar um empreendimento, sendo importante destacar a ampla participação feminina no setor. Todo esse cenário deve servir como estímulo para que as pessoas percebam que qualquer um pode empreender.

É claro que as dificuldades existem e elas serão um pouco diferentes para cada caso. Mesmo assim, essa não é uma ideia que deve ser descartada pelo brasileiro.

Os desafios de empreender no Brasil

Embora o contexto geral seja favorável, não dá para negar que quem decide empreender no Brasil provavelmente vai ter que superar muitos desafios. Afinal, existem lutas diárias que precisam ser vencidas, independentemente do setor de atuação.

Um dos maiores entraves é a enorme burocracia para abrir uma empresa, o que já é um fator conhecido do ambiente brasileiro. A necessidade de alvarás, registros em cartórios, apresentação de documentos, emissão de guias, entre outros, costuma demandar muito tempo e dinheiro.

Outro ponto é a complexidade do sistema de tributação: mesmo os pequenos empreendedores precisam ficar atentos para não serem punidos. Para completar, o alto valor dos tributos, que é muito desanimador.

É preciso considerar ainda o custo de formalizar uma equipe para operacionalizar o negócio. Por mais que os regimes de trabalho estejam ficando mais flexíveis, manter um funcionário é algo muito caro neste país.

gestão das pessoas também é um grande desafio, junto com o gerenciamento financeiro. Especialmente no início, trabalhar com um time reduzido implica ter que multiplicar as funções de cada colaborador para dar conta de tudo. Some a isso o desenvolvimento do produto, vendas, marketing, atendimento ao cliente etc.

5 dicas para quem quer empreender

A existências de obstáculos não é motivo para desistir de uma boa ideia, certo? Diante disso, felizmente muitas pessoas persistem no seu objetivo e não desanimam com as adversidades que enfrentam diariamente — contribuindo, assim, para a capacidade empreendedora do Brasil.

Pensando nisso, separamos algumas dicas para quem tem esse desejo.

1. Fale sobre a sua ideia

O medo de alguém roubar os seus planos não deve privar de receber contribuições significativas. Isso não quer dizer que é necessário sair falando da sua ideia para toda e qualquer pessoa, mas escolher algumas que irão ajudá-lo a melhorar ainda mais o seu modelo de negócio com feedbacks úteis.

2. Busque ajuda se for necessário

Não pense que você precisa chegar a todas as respostas e soluções sozinho. Ter dúvidas é normal, assim como não saber lidar com elas. Logo, se for o caso, procure algum tipo de ajuda para dar continuidade ao seu negócio.

Incubadoras, programas de aceleração, investidores, mentores, entre outros recursos podem ser substanciais para o seu êxito. Só tome cuidado para fazer uma boa escolha e analisar como cada opção pode agregar ao seu projeto. Busque sinergia!

3. Crie uma cultura organizacional

Desde o começo, lembre-se de que é importante criar uma cultura para a sua empresa. Caso contrário, há o risco de que a desorganização se torne prejudicial em algum momento, ou então de fazer com que o negócio gire em torno do comportamento do seu dono.

Essas alternativas tendem a impedir que a organização cresça com valores e metas bem definidos. O time precisa de uma referência para trabalhar de forma orientada e sustentável — não deixe para pensar nisso na última hora.

4. Aceite que falhas acontecem

Ao decidir colocar em prática uma ideia e fazer dar certo o negócio, é claro que fazemos o possível para que isso aconteça da melhor forma, não é mesmo? Porém, nem sempre conseguimos perfeição em tudo e falhas ocorrem naturalmente.

Nesse momento, tenha a consciência de que tentar é melhor do que ficar parado. O sucesso das startups em grande parte vem da agilidade com que elas se propõem a testar, validar, voltar atrás, corrigir e continuar. Portanto, não fique preso aos erros e toque o barco para frente.

5. Persista

Empreender não vai ser sempre fácil. Aliás, em várias ocasiões vai parecer muito mais difícil do que se imagina. Apesar disso, seja persistente e busque forças para continuar — pouquíssimas trajetórias de sucesso acontecem do dia para a noite, não desanime!

Um panorama sobre o futuro no País

Por fim, depois de tantas informações sobre o assunto, vale finalizar com um breve panorama sobre o futuro do empreendedorismo no Brasil. Ainda que seja complexo definir uma perspectiva certeira, há alguns pontos que devem ser considerados.

As complicações existem e o país é reconhecidamente desafiador para os empreendedores. Ao mesmo tempo em que as crises dificultam os negócios, elas representam chances de identificar boas oportunidades. Isto é, em um ambiente em que os desafios são muitos, é imprescindível juntar forças para tentar vencê-los. A formação de um verdadeiro ecossistema empreendedor é um caminho para tentar criar novas estórias bem-sucedidas, apesar de todo o resto.

A união de pessoas de todas as regiões, segmentos, cor, raça ou gênero é importantíssima em um momento político e econômico bastante turbulento. É preciso usar essa pluralidade para ter uma voz mais forte e começar a dar alguns passos rumo a um futuro próspero. Mesmo que a caminhada seja longa, é hora de plantar as sementes para poder esperar bons frutos.

Agora que já conhece um pouco mais sobre o perfil do empreendedor brasileiro, aproveite para refletir qual é o papel que você deseja desempenhar neste cenário. Empreender é uma aventura que exige muita dedicação, mas que com certeza oferece muitas realizações também!

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