Modernidade líquida: como estudar História ajuda a entender o contemporâneo?

  • 06/jun/2018

Modernidade líquida: como estudar História ajuda a entender o contemporâneo?

Muitas pessoas acabam não cursando uma faculdade logo no início da juventude. Se esse é seu caso, não desanime! Um curso superior de História EAD (Ensino a Distância), além de uma oportunidade para crescer, proporcionará uma nova visão de mundo.

Nesse sentido, você sabe o significado do termo modernidade líquida? Essa expressão foi criada pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017), um dos mais importantes filósofos da atualidade, para descrever o cenário contemporâneo.

Para ele, as instituições, as ideologias, os comportamentos e os vínculos humanos se transformam em ritmo veloz e inesperado.

Nada tem a mesma forma por muito tempo, inclusive as rotinas de trabalho, o que exige preparação. Quer saber mais? Então veja neste post o que é a modernidade líquida e como estudar História ajuda a entender o contexto atual. Além disso, pode ser a chance de uma carreira sólida. Confira!

Saiba quem foi Zygmunt Bauman

Falecido em janeiro do ano passado, Bauman é autor da obra Modernidade Líquida, publicada em 2001, na qual ele descreve o mundo moderno com a mesma falta de consistência dos líquidos, que escorrem por entre os dedos.

Com um repertório de mais de 50 livros, ele é um dos pensadores mais respeitados da sociedade recente. Assim, o escritor teve grande destaque na Sociologia Humanística.

Nascido em 1925, Bauman serviu como militar durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), além de ter se filiado ao Partido Comunista. Professor da Universidade de Varsóvia e com origem judia, ele foi banido de seu país por causa do então movimento antissemita na Europa. O pesquisador se refugiou na Inglaterra, onde era professor emérito de sociologia da Universidade de Leed.

Conheça o conceito de modernidade líquida

A modernidade líquida foi o termo escolhido por Bauman para descrever o presente. Assim como os líquidos, a sociedade tem se mostrado incapaz de conservar a mesma forma por período duradouro.

Nesse sentido, tanto os líquidos como a sociedade vigente são fluidos, temporários e não preservam a mesma “identidade” por muito tempo. Em seu primeiro livro, Mal-estar da pós-modernidade, Bauman faz uma reflexão para discutir a obra de Sigmund Freud (1856-1939), que escreveu O mal-estar da civilização em 1930.

Na tese freudiana, a humanidade teria trocado a sua liberdade pela sensação de segurança e proteção, influenciada, em parte, pelas consequências da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Mas a ordem em demasia abriu espaço para governos repressores, e a regulação das vidas acabou criando um “mal-estar”, um “sentimento de culpa” na sociedade.

Bauman chamava essa época (que atravessou os dois conflitos mundiais e culminou na Guerra Fria) de modernidade sólida, que assustava pelo medo e pelo rigor, mas que trazia conforto por sua estabilidade. “A modernidade sólida tinha um aspecto medonho: o espectro das botas dos soldados esmagando as faces humanas”, dizia.

Por outro lado, na modernidade sólida, havia mais sensação de proteção coletiva, já que as estruturas sociais eram bem mais rígidas. “O mundo tinha mais certezas”, resumiu o professor polonês.

Afinal de contas, havia estabilidade do Estado, do mercado de trabalho, dos laços familiares, das relações sociais etc., o que justificaria até mesmo certo nível de autoritarismo.

Assim, para Bauman, a sociedade atual, inserida num mundo globalizado por causa dos avanços tecnológicos, ganhou muito mais liberdade. Ele faz uma ressalva: a sensação de ser mais livre é obtida, mas ela não consegue atender às insatisfações humanas. Com essa “liberdade”, os indivíduos passaram a ser responsáveis por seus problemas e o papel do Estado, nesse quadro, reduz progressivamente.

Compreenda a importância da obra

A grande importância da modernidade líquida é que ela trouxe uma reflexão sobre as modificações sociais, culturais e econômicas que tiveram origem no capitalismo globalizado. O autor faz críticas à razão, à organização social e ao papel do Estado.

Desse modo, ele apontou consequências negativas, como uma sociedade altamente consumista, ruptura com a ética, pouca importância às relações afetivas, entre outros temas.

Bauman dizia que essa instabilidade trazia um sentimento de angústia. Assim, a incerteza diante do futuro aumenta o estresse entre os indivíduos, fazendo despertar uma inquietude. Isso explicaria a ampliação do uso de antidepressivos e de uma procura alucinante por entretenimento para combater essa agonia.

Essa aflição, defendia Bauman, causa um efeito paralisante, deixando os cidadãos com a sensação de que, embora tenham liberdade, eles não têm poder de agir. “Somos livres, mas não conseguimos transformar o mundo — temos um sentimento de impotência. Essa frustração pode gerar um ódio intenso a tudo e a todos”, argumentava. Por ser um dos pioneiros a trazer tão importantes temas aos estudos sociais, essa obra é tida como uma das mais relevantes dos últimos tempos.

Veja como uma graduação em História ajuda a compreender o mundo

A filosofia de Bauman serve para interpretar muitos aspectos do cotidiano, tempos de inovações tecnológicas que trazem grandes rupturas. Você já pensou sobre a revolução que aplicativos como Uber e o Airbnb fizeram?

O primeiro gerou um enorme impacto aos taxistas, com transporte de qualidade mais barato. Já o segundo vem trazendo drásticas interferências no setor turístico. Afora isso, ambas as soluções tecnológicas ajudaram a consolidar uma nova forma de consumo, a economia compartilhada.

Desse modo, uma graduação em História EAD pode ajudar a desenvolver suas habilidades profissionais e, além disso, simplificar a compreensão do mundo em que vivemos, em constante mutação. Abaixo, você confere alguns enquadramentos de Bauman. Veja!

Modernidade líquida e a economia

No contexto da modernidade líquida, Bauman faz uma contraposição entre dois megaempresários, um do passado e outro do presente, para mostrar como eles diferem quando o assunto é mudar. Assim, ele compara John Davison Rockefeller (1839-1937) e Bill Gates (1955-), fundadores, respectivamente, da Standard Oil Company e da Microsoft.

“Rockefeller pode ter desejado construir suas fábricas e estradas de ferro e ser dono delas por um longo tempo. Bill Gates, no entanto, não sente remorsos quando abandona posses de que se orgulhava ontem. É a velocidade atordoante da circulação que traz o lucro”, disse o polonês.

Modernidade líquida e as relações sociais

Ao cursar uma graduação de História EAD, você consegue mais elementos para se adaptar a essa realidade. Vamos continuar pelo exemplo de Bauman, para quem as relações humanas também são líquidas.

A globalização aproxima as pessoas com a tecnologia, mas isso não é consistente. As pessoas se conectam e desconectam em alta velocidade, o que aumenta a falta de sensibilidade para o sofrimento alheio. Isso diz muito sobre o mundo de hoje, não é mesmo?

Modernidade líquida e a política

O conceito de modernidade líquida ajuda também a compreender os fatos políticos recentes, isto é, a política no mundo contemporâneo. Por exemplo: em um bom curso de História EAD, você aprende disciplinas importantes como História Contemporânea e História do Tempo Presente.

Outra concepção de Bauman: o autor defendia que há uma separação entre o poder e a política. Ele cita o fim do Estado de Bem-Estar Social europeu como exemplo. Na modernidade líquida, a participação do Estado na coletividade também é fluida, o que vem contribuindo para o agravamento das diferenças sociais.

A modernidade líquida também estimula uma crise na democracia. “As pessoas já não acreditam no sistema democrático porque ele não cumpre suas promessas”, argumentava o filósofo.

Nesse cenário, Bauman diz que o discurso populista e autoritário vem recebendo cada vez mais adeptos por causa da necessidade de preencher esses vazios. Um exemplo seria a eleição de Donald Trump, um empresário conservador, à presidência dos Estados Unidos.

Por essas razões, o estudo de História ajuda em muito na compreensão desses fenômenos. Você deve estar se perguntando: e o mercado de trabalho? É viável cursar tanto o bacharelado como a licenciatura.

A graduação de História EAD é bem parecida com o método presencial. Você tem uma grade curricular consistente, com atividades complementares e estágio orientado, além de realizar um trabalho de conclusão de curso para obter o diploma. A diferença é que as aulas acontecem em plataforma virtual, o que dará mais flexibilidade de horários, algo essencial hoje, principalmente para quem tem filhos.

A modernidade líquida, portanto, é apenas uma das centenas de teorias e reflexões atuais que podem ajudar você a compreender tantas metamorfoses. Quando você cursar uma graduação de História EAD, terá acesso a muitos outros pensamentos recentes de autores renomados.

Assim, aquele velho sonho de crescer profissionalmente vai ficar cada dia mais perto. O que achou do post? Deixe seu comentário! Sua opinião é muito importante!



Nosso App

Nossas Redes Sociais