Intraempreendedorismo: a inovação como chave para grandes projetos

  • 23/jun/2020

Intraempreendedorismo: a inovação como chave para grandes projetos

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Tempo de Leitura: 7 minutos

intraempreendedorismo vem ocupando espaço de destaque nos setores públicos e privados. Enquanto pequenas e médias organizações enxergam a inovação como chave para o crescimento, as grandes dependem dessa oxigenação para se adaptarem às mudanças e manterem a competitividade.

Não por acaso, ao desenvolver o perfil do intraempreendedor, o profissional contará com competências fundamentais para a construção de uma carreira de sucesso. Haverá espaço em organizações de todos os portes, ramos e segmentos, porque cada vez mais é preciso ser criativo e apresentar soluções diferenciadas para atender às partes interessadas.

Logo abaixo, abordamos as principais características do intraempreendedorismo. Quer saber tudo sobre o tema e realizar uma preparação adequada? Continue a leitura deste post!

O que é intraempreendedorismo?

A capacidade de identificar necessidades e estruturar atividades econômicas para satisfazê-las é frequentemente associada à criação de negócios, mas também é possível exercer esse papel dentro de uma organização existente. Nesse segundo caso, falamos em intraempreendedorismo.

Note que o prefixo “intra”, de origem latina, indica essa ocorrência no interior das entidades públicas e privadas. A ideia é que, para gerar valor aos stakeholders — partes interessadas na atividade, como clientes, fornecedores e acionistas —, é preciso trazer o empreendedorismo para o âmbito da organização.

A inovação e a criatividade, nesse sentido, atuarão em uma zona de incerteza. De um lado, haverá as oportunidades de obter soluções e vantagens competitivas, de outro, a necessidade de arcar com os erros e os riscos de iniciativas fracassadas.

Por isso, ser capaz de otimizar ganhos e perdas passa a ser um diferencial importante na carreira de qualquer pessoa que queira trabalhar com esse modelo.

Empreendedorismo x intraempreendedorismo

Antes de diferenciar os termos, vale lembrar que o conceito de empreendedorismo não se limita à capacidade de iniciar um negócio. Ele também engloba a vontade constante de aprender, de solucionar problemas e de propor mudanças a partir de uma visão de mundo mais curiosa.

O mesmo vale para o conceito de intraempreendeorismo, já que os profissionais que o aplicam agem de forma parecida com os empreendedores. Ambos grupos têm disposição suficiente para idealizar, conduzir e executar processos. A principal diferença, portanto, está no âmbito em que as práticas ocorrem.

O intraempreendedor é aquele profissional que já compõe a equipe interna de uma empresa há algum tempo e, embora exerça determinada profissão ou ocupe um cargo específico, tende a se destacar dos demais colaboradores por conta de suas ideias criativas.

Isso significa que, ao passo que o empreendedor propõe novos negócios, projetos e serviços, o intraempreendedor desenvolve soluções tendo como base algo que já funciona. Nesse caso, o principal objetivo é se inspirar naquilo que existe para aprimorar processos.

Também há diferenças quanto aos recursos, riscos e recompensas. Como o intraempreendedorismo ocorre dentro das entidades, os ganhos e perdas são compartilhados pela organização. Além disso, o benefício profissional não está ligado diretamente ao lucro do negócio, mas a planos de carreira, valorização, bonificações etc.

Quais são os principais benefícios desse modelo?

Uma empresa pode ter vários talentos com perfil intraempreendedor. Para aproveitar todo o potencial que eles têm a oferecer, no entanto, é necessário ter uma cultura organizacional que valorize as competências relacionadas à inovação.

Abaixo, você verá vantagens que representam bons motivos para implantar o intraempreendedorismo. Acompanhe.

Diferencial competitivo

As propostas trazidas por colaboradores com alma empreendedora são cruciais para o desenvolvimento de novos produtos e serviços. O comportamento desses colaboradores também favorece os trabalhos internos, visto que promove o engajamento e inspira quem estiver perto.

Todos esses ganhos geram resultados financeiros mais satisfatórios, com consequente diferencial competitivo para a empresa ter seu merecido destaque no mercado.

Adaptação constante

Esse benefício tem relação com o anterior, visto que a capacidade de inovar mantém as soluções da empresa alinhadas às expectativas dos clientes. Contar com intraempreendedores e incentivar sua atuação em diversos processos é uma boa forma de atender às demandas do mercado.

A cada mudança, seja nos hábitos de consumo da população, seja nas tendências, a empresa estará preparada para concorrer com outras marcas e fazer entregas com qualidade.

Aumento da satisfação

Tanto a empresa quanto seus colaboradores e clientes podem ter percepções positivas com a prática do intraempreendedorismo. No ambiente corporativo, os efeitos são sentidos principalmente na gestão, que passa a desfrutar de pessoas bastante participativas e contestadoras.

Esse interesse pelas melhorias e pela conquista de resultados cada vez mais relevantes faz com que tudo avance e fique próximo do nível de excelência. A satisfação, portanto, tende a ser garantida entre diversos públicos e grupos.

Qual é o perfil do intraempreendedor?

Quem desenvolver o perfil do intraempreendedor terá condições de entregar projetos bem-sucedidos para as organizações e, assim, agregar valor ao portfólio de produtos, serviços e sistemas internos. Confira a seguir algumas das habilidades fundamentais para atingir esses objetivos.

Transformar ideias em projetos

Em qualquer sessão de brainstorming, é possível levantar uma série de ideias para melhorar os portfólios de uma organização. O que diferencia o intraempreendedor é a capacidade de entrega: transformar a ideia em um projeto com ciclo de vida completo — ao final do qual um novo valor será agregado à entidade.

Em outras palavras, esse profissional será capaz de colocar a mão na massa e, inclusive, de motivar os demais colaboradores para que contribuam com o andamento das atividades propostas. O resultado virá na forma de maior produtividade e alto desempenho.

Saber lidar com riscos

O intraempreendedor atua nas oportunidades e ameaças do negócio. O profissional identifica uma insuficiência e, a partir de então, promove a mudança ou inovação para que seja possível satisfazer a necessidade.

Vale deixar claro que o processo pode falhar, por diversos motivos que não estão sob o controle do profissional. Nesse sentido, a capacidade de lidar com a incerteza e minimizar os riscos também é fundamental para não desistir.

Mapear oportunidades

Nas mesmas áreas de incerteza em que estão os riscos, estão as oportunidades. Por isso, o perfil ideal também é de alguém que identifica o que pode levar a um ganho de valor e consegue aproveitar essa chance.

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Com olhar atento, o intraempreendedor tende a enxergar potencial em cenários que seriam ignorados pelo restante da equipe. Trata-se de uma grande vantagem para as empresas que precisam inovar e apresentar soluções mais atrativas ao público-alvo.

Entender as necessidades dos stakeholders

Quem apresenta esse perfil não dará uma festa se ninguém tiver a intenção de aparecer. Para saber onde estão as oportunidades de criar empreendimentos internos, é preciso enxergar o que as partes interessadas realmente querem ou o que necessitam.

Nesse caso, a habilidade de captar informações e agir rapidamente passa a ser um ponto favorável ao intraempreendedor. Isso permitirá que ele compare estratégias conforme a eficácia de cada uma, de modo a gerar benefícios para todos os grupos envolvidos.

De que forma grandes ideias surgem a partir do intraempreendedorismo?

Uma das razões para as empresas apostarem no intraempreendedorismo e a prática ser importante para sua carreira são os resultados concretos produzidos a partir dessa cultura. Há exemplos em diversas organizações, então, citaremos algumas para você se inspirar. Veja.

Sony

O Playstation, um dos carros-chefe da Sony, foi fruto da iniciativa de um engenheiro, Ken Kutaragi. Na época, década de 90, a empresa estava focada em vender Walkman e outros aparelhos de som, e não fazia parte dos planos competir com a Nintendo pelo mercado dos games.

Na verdade, as organizações trabalhavam juntas em um projeto visando o mercado americano. Como o Mega Drive era dominante, a detentora do Mário Bros. buscava melhorias para aumentar sua participação, solicitando um chip de áudio à Sony.

Ocorre que o contrato entre as empresas foi cancelado. A partir de então, o engenheiro responsável apresentou a ideia de desenvolver um videogame próprio e vendeu aos diretores, obtendo o patrocínio necessário para tocar as atividades. Hoje, a cada nova geração, esse videogame vende mais de 60 milhões de cópias.

Google

A cultura organizacional da Google é focada em criatividade, inovação e satisfação do usuário, sendo, muitas vezes, vista em locais de trabalho informais, espaço para lazer durante o expediente e liberdade para os colaboradores.

Uma das práticas da multinacional é a 80/20, em que o profissional pode dedicar 20% do seu tempo para desenvolver projetos internos de seu interesse. Foi nesse período que um colaborador identificou uma necessidade — caixas de e-mail lotadas de promoções e spam — e desenvolveu a solução, que foi a categorização por palavras-chave.

O mais interessante é que a tecnologia já estava lá. Embora seja o mecanismo de busca mais usado da internet, foi preciso que um empreendedor interno pensasse em associar a ferramenta com uma demanda dos usuários e, assim, estabelecer um dos principais diferenciais do Gmail.

Dreamworks

Assim como a Google, a Dreamworks tem suas práticas voltadas para estimular a inovação. Uma delas é permitir que os colaboradores da área criativa façam pequenas apresentações, para os executivos, com ideias para novas animações. Além disso, qualquer pessoa, independentemente da posição hierárquica, pode enviar sugestões criativas por meio do programa de ideias da organização.

Outra característica é o investimento em qualificação voltada para incentivar o empreendedorismo e a criatividade. A empresa oferece cursos para incentivar o trabalho artístico, o que não apenas motiva a inovação como valoriza a criatividade enquanto parte da cultura organizacional.

Perceba, com os exemplos da Sony, Dreamworks e Google, que a iniciativa dos colaboradores pode ser valorizada de diferentes formas em uma organização e, em muitos casos, será determinante para projetos altamente rentáveis.

Como colocar o intraempreendedorismo em prática?

Todo gestor, líder ou funcionário precisa ter conhecimento das ações que favorecem a aplicação desse conceito nas empresas. Se você se identifica com algum desses cargos e não sabe por onde começar, fique de olho nas dicas que listamos.

Identifique os perfis intraempreendedores

O primeiro passo é descobrir quais colaboradores têm mais capacidade criativa e vontade de transformar a rotina de trabalho. O objetivo não é reunir apenas esses indivíduos, mas distribuí-los entre as diversas equipes ou setores que possam existir na organização.

Dessa forma, todo grupo focado em apresentar um novo projeto, por exemplo, terá o auxílio de um intraempreendedor. Nessa situação, a probabilidade de a empresa atingir seus objetivos e comemorar resultados será maior.

Separe um tempo para o lançamento de ideias

Por mais criativos que sejam os colaboradores, dificilmente eles conseguirão propor boas soluções enquanto executam outras tarefas. Nesse sentido, vale a pena reservar alguns minutos do expediente para que esses profissionais coloquem o intraempreendedorismo em prática.

Essa dedicação exclusiva ao lançamento de ideias pode ocorrer uma ou mais vezes na semana, de acordo com a necessidade. Uma boa estratégia para estimular as equipes é desafiá-las com projetos que demandem correções ou alterações.

Utilize ferramentas para registar novidades

Não vale a pena correr o risco de perder projetos por conta de esquecimento. Por isso, outra tática importante é estimular o compartilhamento das ideias que surgirem. Cartazes, quadros com post-its e aplicativos para troca de documentos são ótimos recursos.

Às vezes, um esboço registrado por determinado colaborador pode receber complementos de outros profissionais. Com o tempo, a adição e o cruzamento de novas informações permitirá que projetos sejam lapidados e saiam do papel.

Valorize a opinião de todos os integrantes

Cada colaborador envolvido com o processo de criação ou aprimoramento de negócio pode ter algo a acrescentar. Isso significa que todo integrante da equipe merece ser ouvido, independentemente de seu perfil profissional ou método de trabalho.

Quanto mais colaboração houver entre as pessoas que se propõem a discutir ideias, mais chances o grupo terá de aproveitar boas oportunidades. Em todo caso, a presença de um mediador pode ser útil para garantir que opiniões divergentes tenham o mesmo peso e sejam expostas sem problemas.

Comemore o alcance das metas

Toda conquista merece ser celebrada, desde a mais simples até aquela que parecia impossível. O ideal é fazer isso em etapas, conforme a equipe for batendo metas e avançando no caminho rumo à conclusão dos projetos.

Dessa forma, fica mais fácil manter a motivação lá em cima e garantir que todos deem o máximo em cada tarefa. Outra prática que ajuda é ressaltar as propostas que tiveram mais resultados satisfatórios, estimulando a competitividade interna de maneira saudável.

Com potencial para melhorar diversos trabalhos, o intraempreendedorismo exercerá um papel importante na sua carreira profissional. Hoje, com cada vez mais empresas buscando pessoas com essa característica, é fundamental desenvolver o perfil e saber como agregar valor em termos de inovação para os negócios.

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