Conheça 5 técnicas de investigação criminal

  • 22/ago/2019

Conheça 5 técnicas de investigação criminal

Tempo de Leitura: 4 minutos

As técnicas de investigação criminal — que aparecem em livros e programas de televisão com frequência — são curiosas e intrigam muitas pessoas. Afinal, são ferramentas que permitem que o investigador trace uma teoria ou desenvolva hipóteses que possibilitam a antecipação de novas diligências e dão uma direção à apuração.

Assim, um dos principais objetivos das técnicas de investigação são a coleta de indícios de autoria de um crime e a prova da materialidade delitiva — ou seja, a existência real do acontecimento.

Se você deseja conhecer mais sobre esse assunto que tem muita relevância no trabalho investigativo, continue a leitura do artigo e conheça algumas técnicas de investigação criminal.

1. Raciocínio por indução

O método de raciocínio por indução consiste em chegar a uma conclusão por meio de uma operação mental que estabelece uma verdade indiscutível, com base no conhecimento de determinados dados.

Um exemplo é que, hoje em dia, após diversos estudos aprofundados a respeito do assunto, sabemos que não existem duas impressões digitais idênticas — assim, atualmente, essa afirmação trata-se de uma verdade inquestionável e que é comumente utilizada durante as investigações criminais, em que os investigadores procuram por digitais nas cenas dos crimes para descobrirem o possível autor do delito.

2. Dedução

A dedução também é outra técnica de investigação criminal e ferramenta de apuração policial que ocorre por meio do raciocínio. Sua utilização consiste em relacionar um acontecimento comprovado, ou tido como verdadeiro, a um fato observado na investigação, possibilitando uma conclusão.

Como um assassinato que ocorre em uma festa em que estavam presentes por volta de 50 pessoas no momento do crime. De todos os indivíduos que se encontravam no local quando ocorreu o homicídio, é do conhecimento de todos de que 5 pessoas tinham algum tipo de problema com o homem que foi assassinado.

Assim, por dedução, é possível supor que o assassino esteja entre essas 5 pessoas e focar a investigação criminal nos desafetos da vítima, pois são indivíduos que tinham mais chances de cometer o crime.

3. Técnicas de entrevista e interrogatório

Existem diversas técnicas que são utilizadas em entrevistas e interrogatórios, mas o que é fundamental é conhecer o perfil criminal do suspeito para entender como o interrogatório deve ser realizado.

Nesse momento, é importante lembrar que o interrogatório acontece quando o suspeito está sob custódia do Estado, e a polícia tenta conseguir a sua confissão com relação à autoria de um delito. Por isso, o ideal é analisar o sujeito e utilizar a técnica que mais se encaixa em seu perfil.

Existem algumas ferramentas essenciais para que seja realizado um interrogatório satisfatório, como evitar que o suspeito tenha contato com outras pessoas antes de ser interrogado para que ele não seja influenciado e tenha a sua fala comprometida.

Para utilizar a técnica ideal, é importante analisar se o suspeito é ligado ao lado racional ou emocional, se ele tem algum transtorno ou doença, se conta com alguma debilidade física ou intelectual. Todos esses itens são importantes para a preparação do ambiente do interrogatório.

Um exemplo é que, se os policiais sabem que o criminoso é uma pessoa organizada, é interessante que a sala em que o interrogatório vai ser realizado esteja bagunçada. Dessa maneira, o suspeito se sente desconfortável e cansado, o que o torna mais propenso a falar, pois ele tem o objetivo de sair o mais rápido possível daquele ambiente. Assim, todos os detalhes são relevantes para que o interrogatório tenha êxito.

4. Técnica de 9 passos de interrogatório

A técnica de 9 passos de interrogatório consiste em realizar uma entrevista inicial para se tentar definir a culpa ou inocência do indivíduo. Nesse momento, o investigador tenta criar uma ligação com o suspeito, puxando conversas descontraídas com o objetivo de construir um ambiente livre de intimidação.

Além disso, como é provável que o ser humano se identifique e confie nas pessoas que são semelhantes a ele, o policial pode tentar criar algumas ligações com o suspeito — como falando que compartilha de algum interesse ou crença em comum com o suposto criminoso.

Durante a conversa prévia, o policial analisa as reações (verbais e não verbais) do suspeito, com o objetivo de traçar uma reação comparativa antes que a pressão surja. Em um momento posterior, o investigador utiliza as reações que visualizou quando o suspeito falava a verdade para realizar comparações.

Em geral, quando um indivíduo tem uma recordação, seus olhos se movem para o lado direito — isso é uma manifestação exterior de que o cérebro está ativando o centro de memória. Já quando os olhos se movem para a esquerda ou para cima, isso costuma indicar que a pessoa está raciocinando sobre algo. Nesse momento, o policial deve analisar a atividade ocular do suspeito e lembrar-se dela posteriormente para realizar um comparativo.

Por fim, são feitas perguntas sobre o crime em questão, e o investigador faz uma comparação com as reações iniciais do suspeito para determinar se ele está mentindo ou falando a verdade.

Assim, quando for perguntado ao suposto criminoso em qual local ele estava na data do crime e a resposta for verdadeira, ele usará a sua memória e, provavelmente, os seus olhos vão se mover para o lado direito. No entanto, se o suspeito estiver mentindo, o seu cérebro estará raciocinando, e os seus olhos têm a tendência de se mover para a esquerda.

5. Infiltração de agentes

A infiltração de agentes é um instrumento de investigação criminal utilizado pelas polícias de diversos países para obter um maior grau de eficiência na luta contra a criminalidade. Tal técnica consiste em um agente do Estado (da polícia ou da inteligência) infiltrar-se em uma organização criminosa, fingindo fazer parte do grupo, com o objetivo de colher informações sobre o seu funcionamento.

Para tanto, o agente precisa contar com prévia autorização judicial e identidade falsa e, ao fazer parte da organização delitiva, é possível obter provas suficientes que possibilitam a condenação penal de seus membros e, por fim, desarticular a citada organização, se possível.

Existe a infiltração leve, com duração de até 6 meses e que exige menos envolvimento por parte do policial infiltrado. Já a infiltração profunda, que ocorre por mais de 6 meses, exige total imersão do agente na organização criminosa — na maior parte dos casos, ele assume outra identidade e praticamente não mantém contato com a sua família durante o período.

Portanto, quando utilizadas de forma adequada e em conjunto com outras provas, as técnicas de investigação criminal podem ser muito úteis para acusar um suspeito ou declarar a sua inocência.

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